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Arte com Lacan: a escuta como dobra da palavra

Crédito: Fotografia da autora, realizada na exposição “Lacan, quando a arte encontra a psicanálise”, Centre Pompidou, Paris.



Há formas que não se deixam reduzir a dois lados. O que parece fora retorna como dentro. O que parece distante toca o ponto mais íntimo.


A escuta lacaniana parte dessa dobra.


Na psicanálise, a palavra não é apenas meio de comunicação. Ela é lugar de inscrição. Ao falar, o sujeito não apenas relata acontecimentos — ele se implica, se revela, tropeça, se contradiz. A fala diz mais do que pretende dizer.

A escuta, então, não se orienta apenas pelo conteúdo do sofrimento, mas pelos seus contornos: o que se repete, o que retorna, o que insiste apesar da vontade consciente de mudar.


Não se trata de oferecer respostas prontas. A psicanálise não entrega manuais. Ela sustenta um espaço onde a palavra possa fazer seu trabalho.


Quando a ansiedade fala


Alguém diz:“Eu preciso dar conta de tudo.”

Essa frase, aparentemente simples, carrega um mundo.


Dar conta de quê? Para quem? Desde quando isso se tornou imperativo?


A ansiedade não é apenas excesso de tarefas. Muitas vezes, é o efeito de uma exigência que atravessa o sujeito. Quando essa exigência começa a ser escutada — e não apenas combatida — algo pode se deslocar.

A palavra, ao ser recolocada em cena, abre outra direção.


Quando o amor se repete


Outra pessoa afirma:


“Eu sempre escolho pessoas que me machucam.”


O “sempre” ecoa. Ele aponta para repetição.

A escuta não acusa, não moraliza, não aconselha.


Ela pergunta: que cena retorna? Que lugar você ocupa nessa história? O que, sem saber, você reencontra?


Não se trata de culpar o sujeito, mas de permitir que ele reconheça sua posição na trama que se repete.


É nesse ponto que a análise começa a operar.


A implicação


A psicanálise lacaniana distingue-se por essa aposta: o sujeito está implicado em sua própria palavra.

Isso não significa que ele seja culpado por seu sofrimento. Significa que há algo de sua participação naquilo que o atravessa. Quando essa participação se torna audível, a relação com o sintoma pode mudar.


A transformação, aqui, não é espetáculo nem promessa.


É deslocamento.


Pequeno às vezes.


Silencioso muitas vezes. Mas estrutural.


Um espaço para falar


Sustento esse trabalho clínico em consultório, em Novo Hamburgo, e também na modalidade online. Adultos, adolescentes e crianças encontram aqui um espaço onde a fala pode circular sem pressa, sem julgamento, sem roteiro prévio.

A psicanálise não oferece garantias.


Oferece escuta.


E, por vezes, isso é o que permite que o dentro e o fora deixem de ser opostos — e se tornem continuidade.

 
 
 

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ABORDAGEM PSICANALÍTICA

A psicanálise lacaniana propõe uma escuta singular: em vez de oferecer respostas prontas, convida o sujeito a se implicar na própria palavra.
Em cada sessão, o que se busca não é uma solução imediata, mas um modo único de habitar o que se sente, fala e cala.

Clínica de psicanálise no Centro de Novo Hamburgo
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