Mariposas: sobreviver sem ossos Fabrício Vijales
- Fabricio Vijales
- há 3 dias
- 2 min de leitura

O livro de contos que o leitor tem em mãos é um convite a uma experiência de vertigem. Para percorrê-lo, é preciso acompanhar uma topografia que vai se revelando aos poucos, por meio de elementos que retornam — a mariposa, o espelho, o poço, o rio — e de temas que insistem: infância, segredos familiares, silêncios herdados, medos, loucura, violência. Um livro que convoca o leitor a uma escuta atenta, disposto a atravessar zonas de indeterminação. Não há garantias nesse percurso — apenas a experiência de se deixar afetar.
Carla Cervera Sei
_sobre este livro
A escrita que Fabrício Vijales nos apresenta em Mariposas: sobreviver sem ossos requer do leitor a sustentação de um gesto. Como um “inventário impossível da subjetividade circunscrita pela falta”, sua narrativa nos conduz a um lugar incômodo, úmido, de fruição, como diria Roland Barthes, em que a linguagem se parte e se esfacela diante do horror para dar lugar à escrita de um corpo que se tece na fresta do sentido, ou na ausência dele. Feito de restos (de infância, de palavra, de memória, de traumas), o texto abre uma fratura no espaço-tempo e nos convida a uma travessia. O leitor, nesta passagem, é uma testemunha-chave que toca a densidade de um mistério ainda sem forma, e que sente, em seu próprio corpo, efeitos de desmarginação que irrompem e rompem com a pretensão de localizar qualquer ideia de centro. Neste trabalho, entramos em contato com uma ideia crucial à qual Fabrício tem se dedicado em seus trabalhos: o fragmento e o mosaico. Como sua leitora, eu adicionaria algo a mais: a vertigem. Sem temer o abismo, Mariposas: sobreviver sem ossos é uma construção sofisticada e complexa que inaugura uma busca de sentido ao que permanece deteriorado sob a forma de escombro, horror, angústia, ausência e ruína. O livro é um verdadeiro convite para que não temamos perder nossos contornos, acompanhados de nossas memórias. A potência poética do texto faz lembrar o trabalho da artista brasileira Lenora de Barros, para quem a linguagem é uma matéria viva e erótica, uma “fluição” entre a língua e o corpo. Mariposas é mais do que uma alegoria ou uma imagem: é letra, vestígio e palavra a nos amparar diante do irrepresentável.
Isadora Machado
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