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Sobre a abordagem clínica



Meu trabalho clínico orienta-se pela psicanálise de tradição lacaniana. Trata-se de uma vertente da psicanálise fundamentada na obra de Sigmund Freud e nas releituras propostas por Jacques Lacan.


Nessa perspectiva, o sofrimento psíquico é compreendido a partir da relação singular que cada sujeito estabelece com a linguagem, com o desejo e com as marcas de sua história.


Na tradição lacaniana, a regularidade dos encontros é um elemento importante do processo analítico. Em muitos casos, pode ser indicada a realização de duas sessões semanais, ou até mais, o que favorece a continuidade do trabalho e permite acompanhar com mais precisão os movimentos do discurso e da transferência.


Cada análise, no entanto, é singular. A frequência das sessões é discutida e ajustada de acordo com o momento do tratamento, a disponibilidade do paciente e as necessidades do processo clínico.


O trabalho analítico consiste em escutar como cada sujeito constrói sua própria narrativa, como certos impasses retornam e como determinados significantes (palavras ou expressões que marcam a nossa história) se organizam e produzem efeitos na fala.


A análise busca abrir um espaço onde cada indivíduo possa se aproximar do que muitas vezes aparece como sintoma, angústia ou repetição.


Esse processo se sustenta também na transferência, isto é, na relação singular que se estabelece entre analista e analisando e que permite que algo da experiência inconsciente possa emergir.


Por outro lado, ao longo da minha trajetória venho desenvolvendo pesquisas e uma reflexão sobre o que tenho chamado de clínica do fragmento.


A experiência analítica mostra que a história de um sujeito raramente se apresenta de forma linear. Ela surge em pedaços: lembranças parciais, frases interrompidas, imagens que aparecem e desaparecem no discurso.


Em vez de buscar uma narrativa totalizante, a escuta analítica acolhe esses fragmentos e trabalha com eles. Aos poucos, esses elementos podem se articular, produzir novas associações e abrir caminhos de elaboração.


Essa perspectiva dialoga também com uma metodologia que venho desenvolvendo em meus trabalhos de escrita, inspirada na ideia de mosaico.


Assim como um mosaico é composto por pequenas peças que, reunidas, produzem uma imagem, a experiência subjetiva pode ser pensada como uma montagem de fragmentos de memória, linguagem.


Na clínica, isso implica acompanhar atentamente o percurso de cada sujeito e as pequenas formações do seu discurso, onde muitas vezes algo decisivo do inconsciente se deixa entrever.


As palavras que se repetem.

As pausas.Os deslocamentos.

As imagens que surgem na fala.


Muitas vezes é nesses detalhes aparentemente menores que algo decisivo da experiência psíquica se revela.


Nesse processo, o que inicialmente aparece como fragmento pode tornar-se matéria de elaboração, permitindo que novas formas de relação com a história e com o próprio, com o corpo se tornem possíveis.

 
 
 

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ABORDAGEM PSICANALÍTICA

A psicanálise lacaniana propõe uma escuta singular: em vez de oferecer respostas prontas, convida o sujeito a se implicar na própria palavra.
Em cada sessão, o que se busca não é uma solução imediata, mas um modo único de habitar o que se sente, fala e cala.

Clínica de psicanálise no Centro de Novo Hamburgo
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