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Mariposas

O livro de contos que o leitor tem em mãos é um convite a uma experiência de vertigem. Para percorrê-lo, é preciso acompanhar uma topografia que vai se revelando aos poucos, por meio de elementos que retornam a mariposa, o espelho, o poço, o rio e de temas que insistem: infância, segredos familiares, silêncios, medos, loucura, violência. O autor procura capturar o instante em que acontecimentos que permaneceram em estado bruto, sensações, afetos, excessos, buscam passagem, na tentativa sempre falha e incompleta de se tornarem histórias. É como numa fotografia, apreender a passagem do corpo à escrita: momento da vertigem, de salto. Um livro que convoca o leitor a uma escuta atenta, disposto a atravessar zonas de indeterminação. Não há garantias nesse percurso apenas a experiência de se deixar afetar.


 
 
 

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